27. ago. 2021

‘Não haverá democracia, a lei é a sharia e é isso’, diz comandante do Talibã

Talibã, que tomou o poder no Afeganistão, tem uma interpretação restrita e literal da sharia, a lei islâmica. O grupo afirma que os direitos das mulheres serão respeitados dentro do código religioso.

As leis no Afeganistão comandado pelo Talibã devem ser semelhantes às que existiam da vez anterior em que os extremista esteve no poder, afirmou nesta quinta-feira (19) Waheedullah Hashimi, um dos principais comandantes do grupo.

Hashimi afirmou que não há possibilidade de o país adotar a democracia como sistema para escolher os líderes. O Afeganistão provavelmente será governado por um conselho que vai observar a sharia, a lei islâmica.

O líder supremo do Talibã, Haibatullah Akhundzada, provavelmente estará no comando desse conselho. Ele terá papel semelhante ao de um presidente, afirmou Hashimi.

A lei é a sharia’

“Não haverá nada como um sistema democrático porque isso não tem nenhuma base no nosso país. Nós não vamos discutir qual será o tipo de sistema político que vamos aplicar no Afeganistão porque isso é claro: a lei é sharia, e é isso”, afirmou Hashimi.

O Talibã tem uma interpretação restrita e literal da sharia. O grupo afirma que os direitos das mulheres serão respeitados dentro do código religioso. As regras sobre como as mulheres deverão se vestir provavelmente serão decididas por um conselho de acadêmicos do Islamismo.

Um vídeo divulgado pelo Talibã nesta quarta-feira (18) mostrou o desembarque Mullah Abdul Ghani Baradar no Afeganistão (veja abaixo). Um dos cofundadores e chefe político do grupo extremista, ele voltou ao país após mais de dez anos. Baradar negociou o acordo de paz com os Estados Unidos.

Foi a primeira vez que um líder do grupo extremista do alto escalão retornou publicamente ao Afeganistão desde 2001, quando o Talibã foi expulso do poder pelos EUA após o 11 de Setembro.

Nesta segunda-feira (16), uma pessoa caiu de um avião ao tentar fugir do país. De acordo com a agência de notícias local Ariana, a vítima era o jogador de futebol Zaki Anwari, que chegou a ser da seleção de base do país.

Ele despencou de um Boeing C-17 da Força Aérea dos EUA, e a morte foi confirmada pelo Diretório Geral para os Esportes.

FMI suspende plano

O Fundo Monetário Internacional (FMI) tinha um plano de empréstimo para o Afeganistão, mas como o Talibã tomou o poder no país, o dinheiro não será mais emprestado.

O governo dos Estados Unidos pressionou a entidade financeira para suspender o plano.

O Afeganistão ia receber cerca de US$ 460 milhões (cerca de R$ 2,5 bilhões) na semana que vem. O dinheiro é parte de um pacote para países que tiveram problemas com a pandemia de coronavírus.

Os EUA são o principal contribuinte do FMI, e, por isso, têm poder de veto de grandes decisões.

Nenhum governo tem uma relação diplomática formal com o novo regime do Afeganistão.

Fonte: G1

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